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Publicidade e Casé
O proprietário da Loja de produtos domésticos F.R. Moreira, chamou Casé que passava em frente a vitrine do estabelecimento, e perguntou se Ademar poderia fazer um horário com músicas de Carmen Miranda com o patrocínio da loja. Casé explicou que não se faziam programas com um único artista, mas enfatizou que outros grandes nomes seriam presença garantida e o sucesso seria imediato, desse modo, conseguiu convencer o cliente e o contrato foi fechado. Retornando ao escritório Casé encontra o representante de uma Firma paulista de produtos farmacêuticos, Laboratório Queiroz, que queria anunciar no Programa de maior audiência da cidade. Ademar não perdeu tempo e tratou de fechar negócio com mais um patrocinador. Somente depois ele ficou sabendo que o produto anunciado seria um purgante, o Manon Purgativo. Para sair dessa “saia justa”, Nássara entra em cena e faz o seguinte texto:
“Um casal de noivos brigou. Ele, arrependido, resolveu fazer as pazes, mas a moça estava irredutível. Conversou com a futura sogra, que lhe aconselhou que presenteasse a filha com algo de valor. Comprou-lhe então uma jóia caríssima. E não fez efeito. Deu-lhe um casaco de peles, mas não fez efeito. Então lembrou de dar a ela um vidro de Manon Purgativo.... Ahhh! Fez efeito. Manon Purgativo, à venda em todas as farmácias e drogarias”. Esse anúncio só foi possível por que, em primeiro de março de 1932, o Governo Federal liberou a publicidade no rádio, através do decreto 21.111. Até então a publicidade se resumia aos patrocínios a horários de programas. Casé tinha um excelente time de redatores, Nássara, Paulo Roberto, Cristóvão Alencar, Orestes Barbosa, Luiz Peixoto entre outros, que faziam a diferença na publicidade da época. A venda de horários e a criação de comerciais criativos a cada programa eram uma das inovações. Os reclames do Casé eram famosos e comentados por todos. O reclame da casa Bela Aurora e do Pilogênio exemplificam bem isso. “Sente-se mal? Compre uma cadeira de balanço na Casa Bela Aurora e
sente-se bem” “Pilogênio é tão bom que faz crescer cabelos até em bola de bilhar” Foi em 1932 que Nássara compôs o primeiro jingle da história. Albino, um senhor português, dono da Padaria Bragança, foi abordado por Casé para ter seu comércio anunciado, no entanto Albino não se interessava pelo negócio, foi quando Ademar lançou a proposta de anunciar sem compromisso. Com a simples condição de que Albino só pagaria se gostasse. Nássara não perdeu tempo, aproveitando a nacionalidade do cliente fez três quadrinhas em ritmo de fado, que foi cantado com sotaque português na voz de Luís Barbosa, nascendo assim o jingle da padaria Bragança. Clique aqui para assistir Nássara cantando este Jingle.
“Oh, padeiro desta rua tenha sempre na lembrança. Refrão não me traga outro pão que não seja o pão Bragança.
Pão inimigo da fome. fome inimiga do pão. enquanto os dois não se matam, a gente fica na mão De noite, quando me deito e faço a oração, peço com todo o respeito que nunca me falte o pão”.
O resultado não poderia ser outro. A padaria Bragança tornou-se a padaria mais famosa da época, o seu proprietário ficou tão fascinado, que no dia seguinte fechou contrato, de um ano, de publicidade com Casé. A publicidade do Programa Casé era um grande diferencial. Com o dinheiro alcançado o Programa crescia chegando a ampliar seu horário para doze horas aos domingos, do meio dia à meia noite, havendo ainda suplementos nas terças e quintas. O Programa contava com uma fiel clientela. Um patrocinador marcante foi a “Loja Dragão”, que tinha um grande número de anúncios ao longo do programa. “No dia que fores minha juro por Deus, coração te darei uma cozinha que vi ali no Dragão (Noel Rosa)
Morros do Pinto e Favela são musas do violão. louça, cristal e panela, só se compra no Dragão (Marília Batista)
O brasil foi descoberto em 1500. se tivesse sido descoberto pelo Dragão, sairia por uns 1.200 (Paulo Roberto)
Na casa do Zé coalhada houve hoje uma estrelada até então saiu bofetão porque o raio da criada numa tigela rachada foi que serviu o feijão. é que a louça da família não compraram no Dragão.” (Luís Peixoto) Depois dos quase 20 anos de Programa Casé, a televisão surgiu e Ademar inaugurou uma agência de produção televisiva. E assim iniciou a carreira na TV, produzindo grandes sucessos entre eles Noite de Gala na TV Tupi, o mais famoso e importante programa da época no Brasil. Em 1960, após sofrer um enfarte Casé abandona os meios de comunicação, mas sua paixão pelo mercado publicitário não o impediu de abrir outra Agência de Publicidade, Agência Casé, que foi entregue anos depois ao filho Maurício Casé. |