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Cidade de Belo Jardim, Pernambuco, 09 de Novembro de 1902
nasce Ademar da Silva Casé, filho de João Francisco Casé e Rita Leopoldina
Casé. Cinco anos depois, questões políticas os obrigam a fugir da cidade. João
Francisco havia feito campanha pra um compadre que concorria à prefeitura. Os
votos não eram secretos e quem venceu foi o outro candidato.
Naquela época era comum esse tipo de perseguição. Política
era questão de vida ou morte. Um dia anterior à fuga, um outro compadre dele
havia sido assassinado. Através de um amigo da família, João Casé ficou
sabendo que quatro homens estavam prontos para assassiná-lo, antes que a noite
terminasse.
O tempo passa, e João Francisco recebe a notícia de que a
situação em Belo Jardim estava novamente a seu favor. Seu compadre era
finalmente o novo prefeito, o que foi determinante para o seu retorno a
Pernambuco, no entanto por pressão de parentes e até mesmo de sua esposa, a
nova morada seria em outra cidade, Caruaru.
Um imenso desafio esperava Ademar e sua família naquele
novo lugar. Uma epidemia mundial também atingiu a cidade. A gripe espanhola
expandiu-se de uma maneira que em todas as residências alguém estava com o vírus.
No lar de Ademar não foi diferente. Todos
na casa dele ficaram doentes, exceto sua mãe. O pai, João Francisco estava
muito mal, não resistiu e morreu.
Em busca de melhores condições de vida e trabalho, Ademar
com apenas 17 anos, vai para Recife. As economias acabam, o emprego não surge.
As praças tornaram-se morada de Casé e a fome sua companhia. Através de um
amigo de Caruaru, Ademar consegue um emprego no “Bilhares Recreio”, no mais
famoso e aristocrático salão de bilhar da Capital. Seu trabalho era varrer,
arrumar o salão e organizar as mesas de bilhar.
Foi no Recreio que Ademar conheceu o capitão Rogaciano de
Mello, aproveitando a oportunidade Casé falou do seu interesse em ingressar na
carreira militar. Afinal era uma grande oportunidade. Não demorou muito e ele já
estava alistado no 21º Batalhão de Caçadores, dias depois, Casé chegava no
Rio de Janeiro com o grupamento militar.
Era 1922 o Rio fervia. O país estava vivendo um intenso
clima político com a sucessão presidencial. O presidente Epitácio Pessoa
elegeu o seu sucessor Arthur Bernardes, o que provocou revoltas e protestos em vários
estados. O agrupamento militar com o qual Ademar veio de Recife foi direcionado
para a Vila Militar, primeiro regimento de Infantaria, um dos focos de oposição
ao então novo presidente Arthur Bernardes.
Involuntariamente Casé entra em combate, mas na Vila
Militar diferentemente do que ocorrera no Forte, a revolta foi rapidamente
abafada. Os envolvidos foram presos reenviados para outros estados. Ademar foi
preso e levado para São Paulo e depois transferido para a cidade de Rio Claro,
ficando na Segunda Companhia de Metralhadoras Pesadas.
Dois meses depois, Casé foi posto em liberdade e embarca
em navio Lloyd de volta a Pernambuco, mas o seu desejo de vencer na vida, de
retornar a capital do país e “tentar a sorte na cidade grande” era cada vez
maior. Fez alguns “bicos”, juntou algumas economias e embarcou novamente
para o Rio de Janeiro.
Após uma longa procura de emprego Casé consegue trabalho
no Café Mourisco, um varejo de frutas. Lá conheceu um argentino que o convidou
para trabalhar numa Distribuidora de frutas argentinas no Brasil, permanecendo
nesse emprego até o fim da Câmara de Comércio Brasil-Argentina que foi
decretado pelo governo.
Em seguida Trabalhou como corretor de imóveis, vendendo
terrenos de um loteamento paradisíaco apresentado em plantas belíssimas. O que
Ademar e seus clientes não sabiam era que tudo não passava de uma farsa. Certo
dia acompanhando um grupo de clientes numa visita ao loteamento, Casé e todos
os clientes se decepcionaram. O lugar era terrível. Não tinha nada do que era
apresentado no projeto e para completar um dos visitantes foi picado por uma
cobra.
Novamente desempregado Casé torna-se agenciador de anúncios
para a revista Don Quixote e outras publicações como o Careta, Revista da
Semana, Fon-Fon, Para Todos, Cena Muda e O Malho. Como o dinheiro era
pouco, decidiu que precisava de mais um emprego e começou a ser vendedor de
receptores Phillips.
Mais uma vez a criatividade e o espírito empreendedor
desse nordestino ganham asas. Com a lista telefônica na mão, Casé tinha nome
e endereço de possíveis clientes. A tática era visitar as casas durante os
dias úteis. Ele esperava o dono da sair para trabalhar e só então
tocava a campanhia.
O segredo consistia em pedir para falar com o proprietário
da casa chamando-o pelo nome como se realmente o conhecesse, em seguida falava
para a esposa que tinha informações que o marido estava interessado em
adquirir um rádio. E como a esposa nunca estava sabendo do assunto (e seria
impossível saber) ele deixava o aparelho ligado e sintonizado na PRAA Rádio
Sociedade Do Rio de Janeiro, a melhor da época.
Quando voltava três dias depois a família já estava
encantada pela novidade. Muitas vezes ainda contra a vontade o dono terminava
comprando o aparelho. As vendas eram impressionantes e o diretor comercial da
Philips do Brasil quis conhecer pessoalmente esse vendedor que chegava a levar
30 aparelhos no carro, vendia todos e voltava com um pedido de mais 27.
Aproveitando os contatos e a sua fama como grande
profissional dentro da Phillips, Ademar sugeriu a Vitoriano Borges, um dos
diretores, o aluguel de um horário explicou que essa nova experiência seria
ainda melhor e mais dinâmico do que o “Esplêndido Programa,” programa de
maior sucesso na época transmitida pela Rádio Mayrink Veiga.
Domingo 14 de fevereiro de 1932, oito horas da noite,
nasceu o programa do Casé que foi batizado em pleno ar. Ademar não havia
pensado em um nome para o programa e coube ao Diretor da Rádio Phillips Dr.
Augusto Vitoriano Borges improvisar:
”A rádio Phillips do Brasil, PRAX, vai começar a
irradiar o Programa Casé.’’
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